O ovo virou artigo de luxo? Descubra o motivo da alta do preço dos ovos

Você já se pegou olhando para a prateleira do mercado e se perguntando: “Como o ovo ficou tão caro?” Se antes ele era visto como uma alternativa acessível às carnes, hoje seu preço assusta até os consumidores mais habituados. O que antes era um item básico da cesta de compras agora parece estar se tornando um produto de luxo.
A alta do preço do ovo no Brasil não passou despercebida. Nos últimos meses, o valor da dúzia disparou, gerando um impacto direto no bolso da população. Mas afinal, o que está acontecendo? Por que o ovo está subindo tanto? Será que essa tendência vai continuar?
Neste artigo, vamos destrinchar os motivos por trás dessa escalada de preços, revelando os fatores econômicos, climáticos e de mercado que influenciam diretamente no custo desse alimento essencial. Prepare-se para entender de uma vez por todas por que o ovo está tão caro e o que esperar para o futuro.
Alta nos custos de produção: O impacto direto no preço final
Quando falamos sobre o aumento no preço do ovo no Brasil, um dos principais culpados está logo no início da cadeia produtiva: o custo para produzir um único ovo nunca foi tão alto.
A criação de galinhas poedeiras exige uma estrutura complexa, que vai desde ração de qualidade até custos com energia elétrica, vacinação e transporte. Nos últimos anos, esses insumos sofreram reajustes significativos, impactando diretamente o preço final pago pelo consumidor.
Um exemplo claro é o aumento no valor do milho e da soja, componentes fundamentais da alimentação das aves. O preço do milho, que representa mais de 60% do custo da ração, disparou devido a fatores como quebras de safra, exportações recordes e variação cambial. E quando a alimentação da galinha encarece, o ovo automaticamente fica mais caro nas prateleiras.
Mas os desafios não param por aí. Questões como inflação, aumento do combustível e oscilações climáticas também estão jogando lenha na fogueira da alta de preços. E tudo isso nos leva a uma pergunta ainda mais intrigante: será que esse aumento é passageiro ou veio para ficar?
A crise dos insumos: Como a alimentação das galinhas ficou mais cara
Se há um vilão indiscutível na alta do preço do ovo, ele atende pelo nome de insumos agrícolas. A produção de ovos depende fortemente da alimentação das galinhas, composta majoritariamente por milho e farelo de soja. Nos últimos anos, o preço desses insumos disparou, puxado por fatores como:
- Safras prejudicadas por secas e chuvas irregulares, reduzindo a oferta de grãos.
- Aumento nas exportações, especialmente para China e Europa, diminuindo a oferta interna.
- Alta do dólar, que encarece ainda mais a importação de suplementos nutricionais para as aves.
Com isso, os produtores foram obrigados a repassar os custos, resultando em ovos mais caros para o consumidor final.
O efeito da inflação e da desvalorização do real no mercado de ovos
A inflação é um fantasma que assombra o bolso do brasileiro, e com os ovos não seria diferente. O aumento generalizado de preços, impulsionado pelo custo dos combustíveis, energia e transporte, fez com que os custos da cadeia produtiva subissem como um todo.
Além disso, o real desvalorizado tornou o Brasil um grande exportador de commodities agrícolas, o que reduziu a disponibilidade interna de milho e soja e elevou os preços desses itens. Resultado? Ração mais cara e ovos mais caros.
A influência do clima: Ondas de calor e seus reflexos na produção
Se tem um fator que derruba a produção de ovos, é o calor extremo. Ondas de calor recordes, como as registradas nos últimos anos, afetam diretamente as galinhas poedeiras, que produzem menos ovos em temperaturas elevadas.
O estresse térmico reduz a capacidade de postura das aves e aumenta a mortalidade dos animais, diminuindo a oferta de ovos e pressionando os preços para cima. Com menos ovos disponíveis no mercado, o impacto no bolso do consumidor se torna inevitável.

O papel dos intermediários: Quem realmente lucra com a alta do ovo?
Muitos consumidores acreditam que apenas os produtores estão lucrando com a alta dos preços. No entanto, um fator pouco falado é a participação dos intermediários da cadeia de distribuição.
O ovo passa por diversas etapas antes de chegar à gôndola do supermercado, e cada uma delas adiciona um percentual ao valor final. Armazenagem, transporte, embalagens e até a margem de lucro dos varejistas contribuem para que o preço pago pelo consumidor seja muito superior ao custo original do produto.
Ou seja, nem sempre o aumento do preço beneficia diretamente o produtor, pois os intermediários também elevam suas margens de lucro diante de um cenário de escassez e demanda elevada.
A demanda crescente e o consumo elevado da proteína mais acessível
Outro fator que impulsiona a alta do preço do ovo no Brasil é o crescimento da demanda. Com a carne vermelha cada vez mais cara, muitas famílias migraram para alternativas mais acessíveis, como o frango e o ovo.
Essa mudança de hábito resultou em um aumento no consumo per capita de ovos, pressionando a oferta. A lógica do mercado é simples: quando a demanda supera a oferta, os preços sobem.
Exportação x consumo interno: O Brasil está enviando mais ovos para fora?
Sim, e esse é um fator que pouca gente percebe. Com a valorização do dólar, o Brasil aumentou suas exportações de ovos para países que pagam mais pelo produto. Isso reduz a disponibilidade do alimento no mercado interno, tornando-o ainda mais caro para os consumidores brasileiros.
Em 2024, o Brasil bateu recordes na exportação de ovos para países como Japão e Emirados Árabes. Isso significa que uma parte significativa da produção nacional está sendo direcionada para fora, desequilibrando ainda mais a relação entre oferta e demanda interna.
O que esperar do futuro? O preço do ovo deve continuar subindo?
Diante de todos esses fatores, fica a pergunta: o preço do ovo vai continuar subindo em 2025?
A resposta não é simples, mas especialistas apontam que a tendência é de que os preços permaneçam elevados enquanto os custos de produção continuarem altos. A única possibilidade de queda significativa seria uma combinação de fatores como redução no custo dos insumos, estabilização do clima e controle da inflação.
Até lá, os consumidores precisarão se adaptar e buscar formas de driblar o impacto no orçamento. Mas isso nos leva à pergunta final: o que pode ser feito diante dessa realidade?
Como você pode se adaptar e buscar alternativas?
Diante da escalada de preços, uma coisa é certa: o ovo deixou de ser uma proteína barata e previsível no orçamento das famílias brasileiras. Com a pressão dos custos de produção, a desvalorização do real e o aumento da demanda, o cenário não deve mudar tão cedo.
Então, o que fazer? Ignorar o problema não é uma opção. O consumidor precisa buscar estratégias para minimizar o impacto no bolso, como:
- Comparar preços entre diferentes estabelecimentos e aproveitar promoções.
- Buscar produtores locais, onde os preços podem ser mais acessíveis.
- Avaliar substituições na dieta, como outras fontes de proteína igualmente nutritivas.
- Planejar melhor as compras, evitando desperdícios e otimizando o consumo.
A realidade é que o ovo não é o único vilão da inflação. O custo de vida como um todo está pressionado, e entender os fatores que influenciam essa alta é fundamental para fazer escolhas mais conscientes.
No fim das contas, a questão não é apenas “por que o ovo está subindo tanto?”, mas o que cada um pode fazer para se adaptar e manter uma alimentação equilibrada sem comprometer o orçamento.